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Copom: mensagem inalterada

No Radar do Mercado: o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu novamente a Selic em 50 pontos-base, levando a taxa básica de juros a 11,75% ao ano

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Itaú Private Bank

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Crédito: Getty Images

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 50 pontos-base para 11,75% ao ano, em decisão unânime, conforme esperado pelo mercado. Além disso, não alterou a sinalização de que deve manter o ritmo de cortes nas próximas reuniões.

A autoridade monetária reconheceu uma melhora no ambiente externo (apesar de seguir volátil), com a queda das taxas de juros de prazos mais longos nos Estados Unidos e pequenos sinais de queda dos núcleos de inflação, que ainda permanecem em nível elevado em diversos países.

No cenário local, destacou o processo de desaceleração da economia e a trajetória de queda da inflação, com destaque para as medidas de inflação subjacente, que se aproximam da meta nas divulgações mais recentes. As projeções de inflação não mudaram muito, o que parece consistente com o ritmo de corte inalterado.

Porém, a reunião ocorreu durante o anúncio da decisão do Federal Reserve e a coletiva de imprensa do presidente Jerome Powell, que abriram caminho para uma redução de juros antecipada nos EUA. Assim, mais do que o habitual, os mercados deverão focar na ata da reunião do Copom, que será publicada na próxima terça-feira, dia 19. Por enquanto, ainda esperamos que o ciclo termine com a Selic em 9,50% ao ano, mas podemos revisar essa projeção à luz dos acontecimentos recentes.

Nossa visão para os mercados

A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado, apesar de ter surgido nos últimos dias um certo otimismo de que o Banco Central pudesse dar algum sinal de aceleração, que não veio.

Essa postura cautelosa, diante de um cenário econômico mais favorável aqui e no exterior, tende a ser vista pelo mercado como uma conduta que poderá abrir espaço para uma Selic terminal mais baixa. Como no ditado “devagar se vai mais longe”.

O efeito disso para os preços tende a ser a continuidade da desinclinação da curva de juros nominal (também chamado de “flattening”), em que as taxas dos vencimentos mais longos caem mais do que os mais curtos. Já as taxas das NTN-Bs devem continuar a cair, porém, em menor intensidade em comparação aos ativos prefixados, uma vez que esta conduta mais cautelosa do BC deve jogar ainda mais para baixo as expectativas futuras para a inflação. Este efeito tende a ser mais nocivo para NTN-Bs curtas (com menos de 5 anos), enquanto as mais longas conseguem compensar isto através do seu prazo médio mais dilatado.

Neste contexto, seguimos otimistas com o desempenho da renda fixa para 2024, que deve ser favorecida pela continuidade da redução da Selic. Reiteramos nossa recomendação acima do neutro para a classe Juro Real, que oferece taxas ainda em patamar atrativo e com o diferencial da proteção inflacionária, ativo valioso no atual ambiente ainda com incertezas. Além disso, a perspectiva de desinclinação da curva mencionada anteriormente tende a ser benéfica para estes títulos, uma vez que recomendamos que se priorize papéis IPCA+ de prazos mais longos (acima de 5 anos).

O tom mais conservador do comunicado tende a funcionar como defesa adicional para o comportamento do Real, que neste ano de 2023 já vem apresentando bom desempenho. Ainda assim, o quadro é complexo e desafiador, por isso não vemos motivos que justifiquem qualquer recomendação nessa classe de ativo neste momento. Acreditamos que ainda existe espaço para um Real mais valorizado no médio prazo. Entretanto, a relação risco vs. retorno da renda fixa ainda nos parece mais atrativa.

Por fim, reafirmamos que a continuidade do ciclo de cortes da taxa de juros é um fator positivo importante para a performance da bolsa brasileira, devendo continuar a sustentar o retorno nos próximos meses.

Embora tenha apresentado melhora recentemente, acreditamos que o principal risco para a bolsa brasileira no curto prazo venha do cenário internacional, descrito pelo Banco Central como um ponto de cautela. Mantemos nossa recomendação neutra em ações brasileiras.

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