China: dados de atividade e encontro com Trump frustram expectativas
No Radar do Mercado: entre o final da semana passada e início desta, o mercado acompanhou de perto o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping e a divulgação de dados da economia chinesa
Por Carolina Sato
Encontro entre Trump e Xi: estabilização nas relações, mas resultados concretos limitados
O encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping realizado na semana passada ocorreu em um contexto de elevada tensão geopolítica, tendo como principal resultado a reafirmação do compromisso com a estabilidade bilateral no curto prazo, mas sem avanços substantivos em temas centrais. Houve, ainda, sinalização de novas interações entre o alto escalão das duas potências ao longo do ano.
No plano estratégico, destacou-se a ênfase na chamada “estabilidade estratégica construtiva”, indicando um esforço para tornar a relação mais previsível, apesar de divergências persistentes, como a competição tecnológica.
No campo econômico, os resultados foram incrementais e pouco detalhados, centrados em possíveis compromissos de compras chinesas de bens americanos, como produtos agrícolas, energia e aeronaves, mas aquém das expectativas do mercado. Já nos principais temas geopolíticos, como o conflito envolvendo o Irã e o estreito de Ormuz, além de Taiwan, não houve mudanças relevantes de posicionamento.
Atividade econômica chinesa desacelera no início do 2º trimestre
Os indicadores de atividade econômica chinesa referentes a abril confirmam um quadro de desaceleração disseminada, com surpresas negativas nas leituras da produção industrial (4,1% a/a), vendas no varejo (0,2% a/a) e investimentos (-8% a/a, -1,6% a/a acumulado no ano), refletindo uma perda de fôlego após um primeiro trimestre forte.
Continuamos a observar uma divergência no crescimento econômico chinês, com exportações ainda resilientes contrastando com uma fraqueza da demanda doméstica. Essa desaceleração nos dados de abril pode estar ligada a uma antecipação de investimentos em infraestrutura no 1º trimestre, desaceleração do programa de troca de bens de consumo e maior incerteza externa, elevando riscos baixistas para o crescimento no 2º tri.
Com isso, o mercado deve intensificar a especulação por novas medidas de estímulos, ao mesmo tempo em que o governo não sinaliza urgência. Vale lembrar que o governo chinês mudou a meta de crescimento deste ano para 4,5-5%, ante “ao redor de 5%” nos últimos anos, sinalizando maior tolerância com uma desaceleração gradual da economia chinesa.
Nesse contexto, o destaque de hoje da agenda econômica chinesa será a decisão de política monetária na noite aqui do Brasil. O mercado espera manutenção das taxas de juros de 1 ano e 5 anos em 3,0% e 3,5%, respectivamente.
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