Resumo da semana: inflação e atividade nos EUA adicionam pressão sobre o Fed
No Radar do Mercado: dados de inflação sentem pressão do conflito no Oriente Médio e dados de atividade nos EUA tiram espaço para cortes de juros por parte do Federal Reserve
Por Victor Camacho
A segunda semana completa de maio foi marcada pela divulgação de indicadores de inflação ao redor do mundo e de atividade nos EUA.
Começando pela parte de atividade nos EUA, por lá, as vendas no varejo seguiram em alta. O indicador cheio avançou 0,5% em abril, em linha com a projeção do mercado. Já o grupo de controle, componente mais correlacionado ao componente de consumo do PIB americano, também avançou 0,5%, mas, neste caso, superando as expectativas. Além disso, na manhã de hoje, a divulgação da produção industrial também surpreendeu, com crescimento de 0,7% em abril e uma revisão altista da leitura de março.
Quanto aos PMIs do mês, os sinais foram mistos. O ISM industrial seguiu no mesmo patamar do mês anterior, em 52,7, ou seja, acima do nível que indica expansão da atividade no setor. A composição, no entanto, apontou pressão adicional de preços e fraqueza do componente de emprego, ainda que os novos pedidos sigam em alta.
Já o ISM de serviços cedeu no mês, mas para nível ainda consistente com atividade sólida do setor (53,6). A abertura mostrou desaceleração dos novos pedidos, mas recuperação do componente de emprego, além da adicional pressão sobre preços à vista também na indústria.
De maneira geral, a bateria de atividade dos EUA seguiu indicando um crescimento saudável, ainda que com fontes de risco à frente. Associados aos quadros de emprego em potencial recuperação e inflação mais pressionada, os dados sugerem um Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) que deve ajustar o balanço entre seus mandatos, passando a observar mais de perto os riscos associados à parte de inflação.
Esse panorama, caso persista até a próxima reunião do Fomc, sugere a necessidade de um ajuste de comunicação frente à atual sinalização com viés de afrouxamento monetário, o que deve consolidar a tendência do mercado de precificar uma posição mais dura por parte do Fed.
Para finalizar, na parte de inflação, a semana contou com divulgações de índices de preços no Brasil, nos EUA e na China. Aqui no Brasil, a alta do índice foi puxada por uma aceleração no preço dos alimentos e no setor de serviços, mas a divulgação não implicou, por ora, em mudança relevante na tendência para o ano. Enquanto isso, nos EUA, o índice foi pressionado pelos preços de energia em meio ao conflito no Oriente Médio, conforme já destacamos.
Já na China, a inflação ao consumidor superou as expectativas e avançou para 1,2% na comparação anual. A inflação ao produtor, o PPI, acelerou de 0,5% para 2,8%, refletindo o impacto da alta dos preços de energia. A aceleração desses indicadores, que rodaram boa parte do último ano em território negativo, é importante para outras economias já que esta inflação chinesa impacta, ainda que em menor escala, os índices de inflação dos países que importam seus produtos. Ou seja, uma inflação maior na China pode representar uma inflação maior ao redor do mundo nos próximos meses.
Seguiremos acompanhando as divulgações e mantendo nossos clientes informados.
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