Irã anuncia reabertura do estreito de Ormuz e alivia preço do petróleo

No Radar do Mercado: anúncio e consequente agradecimento dos EUA é interpretado como indicativo de maior disposição de ambos os lados por um acordo mais amplo

Por Victor Camacho

4 minutos de leitura

Na manhã desta sexta-feira, 17, o Irã anunciou a reabertura total do estreito de Ormuz durante o período restante de cessar-fogo do conflito no Oriente Médio. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o canal, crítico para o fornecimento global de energia, está agora “completamente aberto” para a navegação comercial.

O anúncio foi feito depois que Israel também chegou a um acordo para interromper os ataques feitos ao Hezbollah no Líbano. Esse acordo solucionou um dos pontos de divergência do cessar-fogo entre EUA e Irã que, na prática, tinha sido suficiente para interromper os ataques de lado a lado, mas não para reestabelecer o fluxo marítimo por Ormuz.

Além do anúncio da reabertura, a mensagem de agradecimento de Washington a Teerã foi celebrada pelos mercados como um indicativo de maior disposição de ambos os lados na busca por um acordo mais amplo. Com isso, no momento da escrita deste texto, os preços do petróleo apresentavam quedas superiores a 10%, oferecendo suporte para as bolsas e levando a fechamento das curvas de renda fixa ao redor do mundo.

Ainda assim, alguns pontos sobre o conflito permanecem em aberto. Não há, até o momento, uma data para a retomada das negociações entre os países, ainda que o noticiário esteja sugerindo um possível encontro no final de semana. Também existem riscos relacionados a minas aquáticas, instaladas pelo Irã ao longo do conflito, mas que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que o país, auxiliado pelos EUA, teria promovido a total remoção.

Por fim, existe incerteza relacionada ao formato de um acordo final, já que os países possuem demandas distantes em alguns pontos, como o status do estreito e o programa nuclear iraniano. Ainda assim, em contexto de custos elevados para os dois lados, e sinalizações de maior disposição para negociar nos últimos dias, consultorias políticas têm revisado suas expectativas, adotando um acordo entre as partes como cenário-base.

Nesse sentido, o fluxo pelo estreito se torna a variável de monitoramento mais importante nos próximos dias. E não apenas por sinalizar a disposição de negociação de ambos os lados. Nos últimos dias, ainda que o cessar-fogo viesse sendo celebrado por agentes de mercado, crescia o debate sobre a necessidade também de normalização dos fluxos pelo estreito para mitigar os potenciais efeitos macroeconômicos do conflito, já que episódios anteriores reforçam que a permanência do choque de preços é mais relevante do que sua intensidade.

Diante da velocidade das atualizações do conflito, seguimos monitorando a situação de perto, mantendo contato com nossos analistas de geopolítica e voltamos a qualquer momento com novas atualizações para nossos clientes.

*Texto escrito às 12h30 de 17/04/2026.

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