Fed mantém juros estáveis, mas com dois votos dissidentes
No Radar do Mercado: além de decisão já esperada, Comitê revisa para cima a trajetória de juros à frente e reforça cautela diante de um processo de desinflação mais lento
Por Victor Camacho
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) decidiu, na tarde desta quarta-feira (28), manter a taxa de juros no intervalo de 3,75% a 4,00% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. O comunicado, no entanto, indicou dois votos por alta dos juros já nesta reunião. Houve, ainda, ligeiro ajuste na interpretação da atividade, que passou a ser identificada como forte, em contexto de inflação ainda elevada. Quanto aos passos à frente, o comunicado destacou que o acúmulo de mais informações ajudará o grupo a determinar a postura apropriada para assegurar o retorno da inflação à meta de 2%.
Na coletiva de imprensa concedida após a divulgação, o presidente Kevin Warsh sustentou a decisão de manter os juros argumentando que o Fed não deve reagir a dados isolados e que o período à frente é especialmente rico em informações. Entre os temas adicionais, Warsh anunciou uma mudança no calendário do Comitê: em 2027, uma das oito reuniões será dedicada exclusivamente à discussão de estratégia, sem decisão sobre juros ou comunicado. Já em 2028, duas das oito reuniões programadas teriam esse escopo.
A leitura geral da decisão divulgada hoje é de um Fed que obteve tempo para acompanhar a evolução dos dados e garantir maior convicção, com a inflação seguindo como variável central para a função de reação. Para a renda fixa, a reunião ofereceu algum alívio marginal para a parte curta da curva de juros americana, movimento que não se refletiu nos vértices mais longos. Já para a renda variável, a decisão ficou em segundo plano, já que era amplamente esperada e saiu em meio ao calendário de divulgações de resultados das empresas de tecnologia.
À frente, o destaque fica com a divulgação do núcleo do PCE (Índice de Preços para Despesas de Consumo Pessoal, na sigla em inglês) nesta quinta-feira (29), que oferecerá informações adicionais sobre o risco de maior disseminação das pressões inflacionárias, além da evolução do conflito no Oriente Médio e dos preços de energia. Dados mais benignos permitiriam manter um ritmo gradual, enquanto núcleos mais pressionados ou preços de energia elevada por mais tempo aumentariam o risco de um ciclo de aperto mais rápido e, potencialmente, mais longo.
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