Relatório de Política Monetária: Banco Central ganha confiança no processo de desinflação

No Radar do Mercado: documento mostra crescimento mais moderado à frente e reforça a avaliação de que processo de desinflação continua avançando

Por Carolina Sato

2 minutos de leitura

O Banco Central divulgou na manhã desta quinta-feira (24) o Relatório de Política Monetária (RPM) do 3º trimestre, com revisões de suas projeções para inflação e PIB, dentre outras variáveis.

Para o primeiro trimestre de 2028 (1T28), a projeção de inflação ficou estável em 3,2%, embora a trajetória projetada seja, de modo geral, mais alta até lá. Cabe destacar, no entanto, que para a próxima reunião do Copom, em novembro, o horizonte relevante será o segundo trimestre de 2028 (2T28), quando a autoridade monetária estima uma inflação de 3,1% (revisão de 0,1 p.p. para baixo).

Já na atividade econômica, em comparação com o relatório anterior, a projeção de crescimento do PIB para 2026 foi revisada de 2,0% para 1,8%. Para 2027, a primeira estimativa aponta crescimento de 1,4%, mas o risco parece ser baixista, uma vez que o Banco Central divulgou um estudo mostrando o potencial impacto negativo do El Niño sobre a atividade à frente.

Além disso, o hiato do produto (métrica que estima a diferença entre o PIB e o seu crescimento potencial) foi revisado marginalmente para cima no curto prazo, ainda que se mantenha a projeção de queda para terreno negativo à frente.

Nesse contexto, a autoridade monetária parece ter ganhado maior confiança no processo de desinflação à frente, abrindo espaço para continuidade no processo de calibração da taxa Selic.

Visão de Investimentos: embora vejamos espaço para mais cortes de juros, o Banco Central deve seguir adotando uma postura cautelosa. A própria autoridade monetária tem destacado incertezas relacionadas aos impactos da política fiscal sobre a política monetária e ativos financeiros. Além disso, no ambiente externo, os preços de petróleo seguem pressionados e os juros longos de economias desenvolvidas estão em patamar elevado, fatores que podem limitar o espaço para cortes da Selic à frente. Dessa forma, seguimos com recomendações neutras para ativos domésticos, avaliando o balanço de riscos para o nosso cenário.

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