Focus: após decisão do Copom, mercado revisa Selic de 2026 para baixo
No Radar do Mercado: mercado passa a projetar mais um corte na Selic este ano, enquanto expectativa de inflação volta a subir e segue acima do limite da meta
Por Carolina Sato
O Banco Central divulgou, nesta segunda-feira (21), uma nova edição do Relatório Focus, atualizando as previsões do mercado para o IPCA, o PIB, o câmbio e a Selic. As principais mudanças ocorreram na projeção para a Selic, a inflação e o PIB deste ano.
Começando pela inflação, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 avançou de 4,90% para 4,92%. O patamar segue acima do limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta central de 3,0%. Já a projeção 12 meses à frente recuou de 4,65% para 4,62%, mas também segue acima do limite do intervalo da meta. Para 2027, a expectativa permaneceu estável em 4,30%, assim como 2028, em 3,80%.
Em relação ao PIB, a projeção para 2026 recuou marginalmente de 1,89% para 1,88%, enquanto para 2027 a estimativa caiu de 1,45% para 1,43%, e, para 2028, permaneceu estável em 1,87%.
Na parte do câmbio, as projeções permaneceram inalteradas em R$/US$ 5,20 para 2026, R$/US$ 5,28 para 2027 e R$/US$ 5,30 para 2028.
Já em relação à Selic, a mediana das estimativas para 2026 recuou de 13,75% para 13,50%, o que significa a expectativa de mais um corte de 25 pontos-base ainda neste ano, já que, após a decisão do Copom da última quarta-feira (16), a taxa chegou a 13,75% a.a.
Para 2027 e 2028, as estimativas permaneceram estáveis em 12,00% e 10,50% a.a., respectivamente, mantendo a leitura de juros em patamar elevado por período prolongado e condicionados à evolução do cenário.
Visão de Investimentos: as expectativas de inflação ainda desancoradas nos horizontes mais longos tendem a preservar a cautela da política monetária. Diante desse cenário, seguimos neutros em renda fixa doméstica, atentos à evolução do cenário macroeconômico e prontos para revisitar as posições conforme o balanço de riscos se altere. Também continuamos neutros em bolsa brasileira, ao passo que aumentamos recentemente nossa exposição a S&P em reais na carteira local.
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