IPCA-15 vem acima do esperado e Itaú BBA revisa cenário

No Radar do Mercado: IPCA-15 acelera para 0,7%, pior do que o esperado pelo mercado, mas mercados seguem acompanhando mais os movimentos externos. Confira também a revisão de cenário do Itaú BBA e o contexto geopolítico da semana

Por Carolina Sato

2 minutos de leitura

IPCA-15 vem acima do esperado em setembro e com composição mista

O IBGE divulgou na manhã desta sexta-feira (25) o IPCA-15 de setembro, registrando alta de 0,70%, acima do esperado pelo mercado. Com isso, em 12 meses, o índice passou a acumular alta de 4,47%.

Fonte: IBGE e Itaú Private Bank
Gráfico de barras referente ao IPCA-15 de setembro

Após o fim da incorporação do Bônus de Itaipu no mês anterior, o item de energia elétrica teve importante contribuição altista em setembro. E houve ainda uma pressão adicional de passagens aéreas, item conhecido por ser bastante volátil. Já do lado qualitativo, os serviços subjacentes surpreenderam para cima e continuam pressionados, enquanto industriais subjacentes vieram mais contidos.

Diante disso, o dado divulgado hoje traz uma inflação corrente pior e com composição mista. Ainda que parte da leitura tenha caráter pontual, a resiliência da inflação de serviços reforça um ambiente de desinflação gradual. Isso tende a sustentar uma postura cautelosa por parte do Banco Central, que deve continuar reduzindo a taxa Selic de forma gradual à frente, especialmente em meio a expectativas de inflação desancoradas e um cenário externo desafiador.

Visão de Investimentos: em relação ao comportamento do mercado, os juros futuros domésticos, especialmente os mais longos, chegavam a recuar pela manhã, refletindo mais o fechamento das Treasuries americanas, que atingiram máximas de vários anos ontem, do que o IPCA-15 pior do que o esperado. Diante disso, mantemos nossas recomendações neutras em prefixado, juro real e bolsa brasileira e permanecemos atentos à evolução do cenário, prontos para revisitar nossa posição caso o balanço de riscos mude de forma relevante.

Petróleo elevado mantém cautela no cenário global

No pano de fundo internacional, não vimos avanços concretos nas negociações entre EUA e Irã, com o fluxo pelo Estreito de Ormuz ainda deprimido, sustentando o petróleo acima de US$ 100 por barril e mantendo riscos altistas para a inflação e baixistas para a atividade global.

Um vetor adicional de atenção foi a especulação sobre uma possível restrição às exportações americanas de diesel, que poderia apertar o mercado internacional e elevar ainda mais pressões inflacionárias.

A persistência de preços mais altos de energia torna mais desafiadora a tarefa dos bancos centrais, ao pressionar índices de preços no curto prazo, com potencial de efeitos secundários sobre as expectativas e custo adicional ao crescimento. Assim, a geopolítica segue como fonte importante de incerteza para o cenário.

Revisão de Cenário do Itaú BBA – Local

Também na manhã desta sexta-feira (25), o Itaú BBA divulgou a revisão de suas projeções econômicas para o Brasil e o mundo.

Na parte local, a equipe de macroeconomia do BBA reduziu a projeção de crescimento deste ano, de 1,9% para 1,7%, incorporando dados do 3º trimestre de 2026 e maior moderação da atividade no último trimestre do ano. Para 2027, a expectativa para o PIB também foi reduzida de 1,5% para 1,2%, diante do menor carrego estatístico deste para o próximo ano e dos efeitos defasados e cumulativos da política monetária contracionista.

Já na parte de inflação, o Itaú BBA seguiu projetando IPCA de 5,1% ao fim de 2026, mas revisou a projeção de 4,4% para 4,6% para o ano que vem. A interpretação da equipe do BBA é de que os dados correntes seguem apontando uma janela benigna no curto prazo, com alimentos e serviços reacelerando no 4º trimestre deste ano. Já a revisão de 2027 reflete o repasse do fim das subvenções do diesel.

Em relação ao câmbio, o BBA manteve a expectativa de uma taxa de R$/US$ 5,30 ao fim de 2026 e de R$/US$ 5,50 em 2027. E quanto ao mercado de trabalho, a equipe segue projetando uma taxa de desemprego de 5,7% este ano, mas revisou de 6,1% para 6,2% a projeção para o ano que vem.

Por fim, para a política monetária, o Itaú BBA interpreta que o Copom evitou se comprometer com os próximos passos e preservou a opcionalidade das próximas decisões, condicionando-as aos dados ainda a serem divulgados. Por ora, portanto, a equipe manteve sua projeção de pausa do ciclo em 13,75% a.a.

Confira o relatório na íntegra para mais detalhes.

Revisão de Cenário do Itaú BBA - Internacional

Na revisão de cenário global também divulgada nesta sexta-feira (25), o Itaú BBA seguiu projetando um cenário de petróleo em US$ 80 por barril do tipo Brent no fim de 2026 e em US$ 75 por barril no fim de 2027, mas revisou a trajetória para preços mais elevados no curto prazo. Isso se deve à duração maior do que a esperada do conflito no Oriente Médio e à falta de sinais claros de uma resolução, além de restrições adicionais sobre os derivados de petróleo.

Um dos impactos dessa leitura é na inflação dos EUA. Por lá, os índices de preços não estão convergindo e permanecem muito acima da meta, com a atividade forte. Diante disso e da alta de juros promovida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na reunião da semana passada, somada à sinalização mais dura passada na comunicação ao mercado, o Itaú BBA passou a projetar mais duas altas de juros nos EUA ainda este ano, ante apenas uma alta projeta anteriormente.

Na Europa, a equipe do BBA também passou a projetar que os juros fiquem mais altos por mais tempo diante do choque de energia prolongado. A projeção agora é de que o Banco Central Europeu (BCE) eleve a taxa de juros nas reuniões de outubro e dezembro, levando-a a 3,0% a.a. (ante 2,5% a.a. no cenário anterior).

Enquanto isso, na China, o Itaú BBA segue projetando que o crescimento siga sendo sustentado pelas exportações, diante de um crescimento global resiliente e do ciclo de inteligência artificial. A projeção é de que o crescimento chinês de 2026 seja e 4,7%, e o de 2027, 4,5%.

Por fim, na América Latina, o Itaú BBA explica que as perspectivas de crescimento econômico divergiram na região, com o Peru como destaque positivo, enquanto o Chile apresenta uma perspectiva mais nebulosa. A interpretação é de que a recuperação da região está sob pressão à medida que o crescimento enfraquece enquanto os riscos de inflação ressurgem.

Confira todos os detalhes de cada um dos países no relatório na íntegra.

💬 O que achou deste conteúdo?

Confira os artigos mais recentes

Confira os artigos mais recentes

Relatório de Política Monetária: Banco Central ganha confiança no processo de desinflação

No Radar do Mercado: documento mostra crescimento mais moderado à frente e reforça a [...]

Focus: após decisão do Copom, mercado revisa Selic de 2026 para baixo

No Radar do Mercado: mercado passa a projetar mais um corte na Selic este ano, enquan [...]

Resumo da Semana: superquarta traz alta de juros nos EUA e novo corte da Selic no Brasil

No Radar do Mercado: a semana foi marcada por decisões de política monetária no Brasi [...]