Focus: expectativas de inflação sobem, enquanto PIB é revisado para baixo

No Radar do Mercado: Relatório Focus traz novas altas nas projeções de inflação para os próximos anos e revisões para baixo nas estimativas de crescimento, enquanto expectativas para a Selic seguem inalteradas

Por Carolina Sato

2 minutos de leitura

IPCA-15 vem acima do esperado em setembro e com composição mista

O Banco Central divulgou, nesta segunda-feira (28), uma nova edição do Relatório Focus, atualizando as previsões do mercado para o IPCA, o PIB, o câmbio e a Selic. O destaque ficou para a alta das expectativas de inflação, contrastando com novas revisões baixistas para o PIB.

Fonte: Banco Central e Itaú Private Bank
Painel com as projeções para o IPCA, PIB, câmbio e selic para 2026, 2027 e 2028.

Começando pela inflação, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 avançou de 4,92% para 4,99%. O patamar segue acima do limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta central de 3,0%.

Já a projeção para os próximos 12 meses subiu de 4,62% para 4,65%, também acima do teto da meta. Para 2027, a expectativa avançou de 4,30% para 4,31%, enquanto 2028 permaneceu estável em 3,80%.

Em relação ao PIB, a projeção para o crescimento da atividade em 2026 recuou de 1,88% para 1,86%, enquanto para 2027 a estimativa caiu de 1,43% para 1,41%. Para 2028, também houve redução, de 1,87% para 1,82%.

Na parte do câmbio, as projeções permaneceram inalteradas em R$/US$ 5,20 para 2026, R$/US$ 5,28 para 2027 e R$/US$ 5,30 para 2028.

Em relação à Selic, as expectativas seguiram estáveis em 13,50% para 2026, 12,00% para 2027 e 10,50% para 2028. O Relatório Focus continua mostrando um ambiente de juros em patamar elevado por período prolongado, dependente da evolução das expectativas de inflação.

Visão de Investimentos: as expectativas de inflação seguem desancoradas, inclusive nos horizontes mais longos, o que tende a manter a política monetária em postura cautelosa e, consequentemente, limitar o espaço para fechamento da curva de juros. Diante desse cenário, seguimos neutros em nossas recomendações para os ativos domésticos, tanto em renda fixa quanto em renda variável, atentos à evolução do cenário macro e prontos para revisitar nossas posições conforme o balanço de riscos evolua. Nas carteiras locais, mantemos nossa alocação acima do neutro no S&P em reais.

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