Fed mantém juros parados nos EUA e viés de flexibilização, mas com dissensos no Comitê
No Radar do Mercado: pelo menos três membros do Comitê votaram por retirar sinalização de flexibilização à frente, adotando uma postura considerada mais hawkish
Por Victor Camacho
O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) decidiu manter a taxa de juros no intervalo de 3,5% a 3,75% mais uma vez, em linha com as expectativas do mercado. No comunicado divulgado após a decisão, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed seguiu descrevendo a atividade como sólida e a taxa de desemprego relativamente estável nos últimos meses. Na inflação, ajustou a qualificação e passou a dizer que ela está elevada, em parte refletindo a recente alta dos preços globais de energia. Por fim, manteve a afirmação de que o Fed seguirá observando a evolução dos dados para definir a extensão e o momento de “ajustes adicionais” nas taxas.
A principal novidade da divulgação foi a dissidência de três membros do Comitê, que apoiaram a manutenção do nível de juros, mas não a inclusão de um viés de afrouxamento no comunicado. Assim, a leitura geral é mais hawkish, ou seja, de um Fed menos inclinado a redução adicional dos juros. A sinalização de flexibilização à frente acabou se mantendo no comunicado, mas sob maior incômodo dentro do Comitê, reforçando a expectativa de juros parados por mais tempo e indicando menor espaço para alívio relevante na curva de juros no curto prazo, em linha com nossa visão menos otimista para os títulos do Tesouro americano.
Powell indica Fed mais próximo de postura neutra, em meio a choques que dificultam a desinflação
Na coletiva de imprensa após a divulgação da decisão, o atual presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou a mensagem de que a taxa de juros está bem-posicionada e que o Comitê se vê em condição de mover a política em qualquer direção, caso seja necessário. Ao mesmo tempo, disse que ninguém está defendendo alta de juros neste momento e que o centro do Comitê caminha para uma posição mais neutra.
Entre os temas adicionais, Powell destacou que a guerra envolvendo o Irã e a alta do petróleo elevam a incerteza, mas que os efeitos sobre os EUA tendem a ser menores do que em outras regiões, dado que o país é exportador de energia e menos intensivo em petróleo do que no passado. Ainda assim, reconheceu que preços mais altos de gasolina retiram renda disponível das famílias, podendo pesar sobre a atividade, embora isso ainda não apareça claramente nos dados de consumo.
A reunião também marcou a última coletiva de Powell, que dará lugar a Kevin Warsh, indicado do presidente Donald Trump para a presidência do Fed aprovado na manhã de hoje pela Comissão Bancária do Senado americano. Powell declarou que permanecerá no Comitê por período indeterminado, enquanto prossegue a investigação sobre a reforma da sede do banco central. Com isso, será a primeira vez desde 1948 que um presidente do Fed permanecerá no Comitê após deixar a presidência.
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