Com incerteza no Oriente Médio, semana é marcada pela divulgação de dados de confiança
No Radar do Mercado: sem grandes avanços nas negociações no Oriente Médio, dados de confiança no Brasil e nos EUA foram destaque da semana, além de sabatina do indicado de Trump para a presidência do Federal Reserve
Por Carolina Sato e Victor Camacho
A semana dos mercados seguiu marcada pela incerteza do conflito no Oriente Médio. Depois do cancelamento da rodada de negociações entre EUA e Irã esperada para o início da semana, houve extensão do cessar-fogo entre os países. No entanto, o fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz, variável mais importante para estimar o impacto da guerra sobre a economia global, segue limitado, e não há evidências concretas de retomada do canal diplomático, ainda que o noticiário traga expectativas de novas tratativas ao longo do fim de semana.
Na agenda de indicadores, as divulgações dos Índices de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) foram o destaque. Com a elevação da incerteza global, a expectativa era por recuo amplo nos indicadores e o que se viu foi uma alta, no entanto, os avanços foram puxados por “motivos indesejados”. O choque atual leva, por exemplo, a aumento de preços e maior demora para entrega de produtos/serviços, o que, em condições normais, poderia sugerir uma demanda forte, mas, nesse caso, está mais relacionado a uma restrição da oferta. Ou seja, os dados apontaram para uma expectativa de menor atividade e inflação mais alta, em linha com o risco estagflacionário em decorrência do conflito no Oriente Médio.
Ainda no cenário internacional, ganhou destaque a sabatina no Senado dos EUA de Kevin Warsh, o indicado do presidente Donald Trump para a presidência do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O candidato deixou clara sua defesa da independência do Fed em relação à definição das taxas, mas se mostrou aberto à colaboração da autoridade monetária com braços do governo em outras áreas. Em especial, sinalizou a intenção de trabalhar com o secretário do Tesouro dos EUA para a redução do balanço do Fed.
Outro ponto relevante foi a declaração de desconforto com o atual nível de informações compartilhadas por autoridades do Fed sobre a política de juros, o chamado “forward guidance”. De qualquer forma, com as notícias da manhã desta sexta-feira, 24, de que o encerramento da investigação criminal contra o atual presidente do Fed, Jerome Powell, pode estar próximo, o caminho para a aprovação de Warsh parece ter sido aberto.
Já aqui no Brasil, a semana foi mais esvaziada em termos de divulgação de dados econômicos por conta do feriado de Tiradentes na última terça-feira, 21, deixando o destaque para o Relatório Focus divulgado pelo Banco Central e pelo índice de confiança do consumidor da FGV.
Conforme publicamos na segunda-feira, 20, as expectativas de inflação coletadas pelo BC no Focus continuaram a subir para 2026 e 2027 e chegaram agora a 4,80% e 3,99%, respectivamente. Em um cenário de elevada incerteza e, às vésperas de mais uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), os analistas também revisaram para cima suas projeções para a Selic deste ano, para 13,00%, e 2027, para 11,00%.
Já a confiança do consumidor avançou pelo segundo mês consecutivo. Segundo a FGV, houve melhora da avaliação sobre a situação financeira das famílias, sobretudo dos consumidores da faixa de renda mais baixa. Esse resultado sugere um crescimento robusto do consumo.
Por fim, na parte do noticiário, o governo brasileiro anunciou planos para mitigar a alta dos preços de combustíveis. A ideia seria usar a receita proveniente do aumento do preço do petróleo internacionalmente para fazer cortes temporários no imposto federal sobre combustíveis. A medida ainda necessita de aprovação do Congresso e deve voltar a ser pauta nos próximos dias.
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