Focus: mercado revisa projeções para IPCA e câmbio
No Radar do Mercado: projeções do IPCA deste ano e da inflação 12 meses à frente voltaram a recuar; na China, reguladores orientaram bancos a reduzirem exposição à Treasuries dos EUA
Por Itaú Private Bank
O Banco Central divulgou mais uma edição do Relatório Focus, atualizando as projeções do mercado para os principais indicadores macroeconômicos deste e dos próximos anos.
Começando pelo IPCA, a mediana das projeções para 2026 oscilou novamente para baixo, de 3,99% para 3,97% ao ano, enquanto as expectativas para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis em 3,80% e 3,50%, respectivamente. Em relação à inflação 12 meses à frente, um indicador importante para a tomada de decisão do Copom, também houve queda de 3,99% para 3,97%.
Dessa forma, as projeções ficam levemente mais próximas do centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, de 3,0% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (para cima ou para baixo).
Com relação à Selic, as projeções se mantiveram em 12,25% para 2026, 10,50% para 2027 e 10,00% em 2028, o que implica em cortes de 2,75 pontos percentuais ao longo deste ano. Também não houve alteração nas estimativas do PIB, que seguem em 1,80% para este e em 2,00% para 2028.
Com relação ao câmbio, o mercado segue projetando câmbio de R$/US$ 5,50 para 2026 e 2027. Já para 2028, a expectativa caiu para R$/US$ 5,52 (de R$/US$ 5,50).
Visão de Investimento: a alteração nas projeções não muda o nosso cenário de início do ciclo de cortes na taxa Selic pelo Banco Central em março e reforça nossa visão favorável para a renda variável brasileira neste momento.
China aconselha bancos a reduzir exposição a Treasuries dos EUA
Segundo veículos de imprensa, reguladores chineses aconselharam instituições financeiras do país a reduzir a exposição a títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), citando riscos de concentração e maior volatilidade dos mercados. A medida ocorre em um contexto de maior questionamento sobre a disciplina fiscal americana, o papel do dólar como reserva de valor e a atratividade dos Treasuries.
A recomendação, transmitida verbalmente a grandes bancos, inclui a limitação de novas compras e a redução gradual de posições elevadas, mas não se aplica às reservas estatais da China. A iniciativa teria como objetivo a diversificação de riscos e não estaria ligada a questões geopolíticas nem a uma perda de confiança na capacidade de crédito dos EUA, segundo os entrevistados.
Visão de Investimento: a recomendação dos reguladores é mais um fator que aponta para uma tendência estrutural de enfraquecimento do dólar e abre espaço para um aumento da exposição a outras economias fora dos EUA, em linha com as recentes mudanças em nossas alocações.
Recentemente, em nossas carteiras estratégicas, o dólar deixou de ser um call tático e passou a estar difundido em várias classes de ativos. Já nas alocações táticas, nossa recomendação segue acima do neutro em bolsa de mercados emergentes.
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