Focus: expectativas de inflação, câmbio e Selic sobem de forma generalizada
No Radar do Mercado: primeira edição com coleta após resultado eleitoral traz avanço disseminado das expectativas de inflação em todos os horizontes e depreciação do câmbio, além de revisão altista da Selic e baixista do PIB
Por Victor Camacho
O Banco Central divulgou hoje (3) uma nova edição do Relatório Focus, atualizando as previsões do mercado para as principais variáveis macroeconômicas. Esta foi a primeira edição divulgada com coleta após o resultado do 2º turno das eleições deste ano. O destaque ficou para a deterioração das expectativas de inflação, câmbio e Selic, em contraste com novas reduções nas projeções de crescimento.
Começando pela inflação, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 avançou de 5,19% para 5,22%. O patamar segue acima do limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta central de 3,0%.
A projeção para 2027, por sua vez, também subiu e de forma expressiva, de 4,34% para 4,76%, enquanto 2028 passou de 3,75% para 4,00%, reforçando o desafio para o Banco Central.
Na parte de atividade, a projeção para o PIB de 2026 recuou de 1,80% para 1,76%, enquanto para 2027 a estimativa caiu de 1,31% para 1,20%. Para 2028, houve oscilação, de 1,81% para 1,80%, sinalizando acomodação adicional das expectativas de crescimento.
No câmbio, houve depreciação do real em todo o horizonte. A estimativa para 2026 subiu de R$/US$ 5,05 para R$/US$ 5,34, enquanto 2027 passou de R$/US$ 5,15 para R$/US$ 5,40, com 2028 avançando de R$/US$ 5,20 para R$/US$ 5,40.
Já com relação à Selic, a mediana das estimativas para 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, enquanto 2027 avançou de 11,75% para 12,50%, e 2028 passou de 10,00% para 11,00% ao ano. O movimento sinaliza expectativa de juros mais elevados por período prolongado, em linha com a deterioração das expectativas de inflação e a necessidade de cautela na condução da política monetária.
Visão de Investimentos: a deterioração generalizada das expectativas de inflação, agora ainda mais desancoradas, combinada à depreciação cambial, tende a exigir postura mais dura da política monetária. Para a reunião do Copom desta semana, por exemplo, o consenso do mercado migrou de corte para estabilidade da Selic.
Nesse ambiente, mantemos postura neutra em renda fixa prefixada e renda variável na Carteira Local. No caso do juro real, continuamos com posição acima do neutro, mas com preferência por vértices mais curtos, entendendo que a desaceleração da atividade deve permitir comportamento mais benigno.
Diante desse cenário, seguimos atentos à evolução das expectativas de inflação, à condução da política monetária e aos desdobramentos fiscais, prontos para revisitar nossas posições caso o balanço de riscos mude de forma relevante.
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