Focus: na semana do Copom, projeções para IPCA e Selic de 2026 sobem
No Radar do Mercado: projeções de todos os principais indicadores para este ano sofreram alterações. Banco Central também divulga IBC-Br de janeiro
Por Itaú Private Bank
Focus: IPCA, Selic e PIB de 2026 sobem; câmbio desce
Às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a autoridade monetária divulgou nova edição do Relatório Focus, com mudanças nas projeções de todos os principais indicadores macroeconômicos de 2026.
Começando pela inflação, o relatório trouxe uma mudança significativa na projeção para este ano, subindo de 3,91% para 4,10%. As projeções para 2027 e 2028, no entanto, se mantiveram em 3,80% e 3,50%, respectivamente. Lembrando que a meta central de inflação é de 3,0% ao ano definida pela Conselho Monetário Nacional (CMN).
Já a mediana das projeções para a inflação 12 meses à frente, um indicador importante para a tomada de decisão do Copom, também registrou alta de 3,94% para 3,99%. Com isso, mesmo com as alterações feitas, a inflação projetada para todos os cenários segue na banda superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta.
Com relação à Selic, a expectativa para 2026 subiu pela segunda semana consecutiva e chegou novamente ao patamar de 12,25%, de 12,13% no relatório anterior, isso significa que o mercado atualmente projeta uma redução de 2,75 pontos percentuais no atual patamar de 15,0% da Selic até o final do ano. Para 2027 e 2028, as medianas foram mantidas em 10,5% e 10,0%, respectivamente.
O PIB de 2026 foi outra projeção que passou por ligeira revisão para cima nesta edição do Focus, sendo que a projeção oscilou de 1,82% para 1,83%, enquanto a de 2027 seguiu em 1,80%, e a de 2028, em 2,00%.
Já o câmbio foi a única das principais variáveis que sofreu oscilação para baixo nesta semana. A mediana das expectativas para este ano oscilou de R$/US$ 5,41 para R$/US$ 5,40, enquanto a de 2027 passou de R$/US$ 5,50 para R$/US$ 5,47. Já a projeção para 2028 seguiu em R$/US$ 5,50.
IBC-Br mostra crescimento da atividade em janeiro, mas abaixo do esperado
O Banco Central também divulgou nesta segunda-feira, 16, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), indicando uma alta 0,78% em janeiro frente a dezembro na série com ajuste sazonal, menor do que o 0,85% esperado pelo mercado. Na comparação com janeiro de 2025, o índice registrou alta de 1,0%.
A divulgação do IBC-Br fecha o quadro de indicadores de atividade do primeiro mês do ano. No começo deste mês, o IBGE divulgou a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de janeiro com alta de 1,8%, compensando parte da perda acumulada de 2,5% entre setembro de dezembro de 2025. Já a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) indicou um crescimento de 0,4% do varejo restrito em janeiro, enquanto o varejo ampliado, que inclui itens como veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacarejo, registrou alta de 0,9%. Por fim, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) indicou uma expansão de 0,3% do setor em janeiro.
Esses números indicaram que, em janeiro, a atividade mostrou alguma recuperação após resultados mistos ao final de 2025. Diante disso, nossa visão para a atividade econômica do primeiro trimestre ganhou viés de alta, mesmo em ambiente de política monetária bastante contracionista. Os dados, no entanto, não mudam nossa expectativa de que o Copom deve iniciar o ciclo de cortes de juros na reunião desta semana.
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