Inflação dos EUA vem dentro do esperado, mas com composição ruim

No Radar do Mercado: apesar de os números principais do CPI terem vindo em linha com as expectativas do mercado, composição aponta para um núcleo do PCE (referência mais importante para o Fed) mais pressionado em fevereiro

Por Itaú Private Bank

3 minutos de leitura

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de fevereiro dos EUA foi divulgado na manhã desta quarta-feira, 11, em linha com as expectativas, tanto no índice cheio quanto no núcleo, que desconsidera itens mais voláteis, como alimentos e energia. Enquanto o índice cheio (0,3%) registrou aceleração frente a janeiro (0,2%), o núcleo (0,2%) desacelerou (0,3%) na passagem mensal. Já na leitura anual, tanto o CPI (2,4%) quanto o núcleo (2,5%) repetiram o resultado divulgado no mês anterior.

Gráfico combinado de barras e linhas mostrando a variação anual e mensal, respectivamente, do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos nos últimos 13 meses.
*O resultado mensal do CPI de outubro de 2025 não foi divulgado por conta do shutdown nos EUA. Fonte: Bloomberg e Itaú Private Bank

Apesar dos números principais dentro do esperado, a composição indicou que os movimentos observados – especialmente a pressão vinda de bens, com altas disseminadas em vestuário, itens recreativos, produtos não duráveis e categorias de tecnologia – tendem a se traduzir em uma projeção elevada para o núcleo do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), métrica de referência para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Isso acontece porque existe uma diferença de pesos na composição dos índices: o CPI atribui, por exemplo, peso muito maior à habitação, enquanto o PCE tem composição mais equilibrada.

Vale destacar, ainda, o padrão histórico de sazonalidade, com inflação tipicamente mais alta no início do ano, e a perspectiva de que o encarecimento recente dos combustíveis, associado ao conflito no Oriente Médio, deve pressionar os índices a partir de março.

À frente, portanto, o ponto central será observar se a inflação cede no segundo e terceiro trimestres, como esperado, ou se a pressão em bens e nas métricas de núcleos persiste. Se esta segunda hipótese prevalecer, aumenta o risco de discussões sobre a necessidade de uma postura monetária mais restritiva por parte do Fed frente ao que está atualmente sinalizado. Diante disso, para os mercados, a leitura tende a ser menos favorável para juros futuros e bolsas do que um CPI benigno sugeriria à primeira vista.

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