Preço do petróleo sobe com notícias negativas no final de semana
No Radar do Mercado: notícias do final de semana levaram o mercado a aumentar o receio em relação ao conflito. Confira também a divulgação do Relatório Focus desta segunda-feira
Por Itaú Private Bank
Após notícias consideradas negativas durante o final de semana para uma resolução do conflito no Oriente Médio, o preço do petróleo chegou a subir até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril, mas cedeu em direção ao US$ 100 por barril na manhã desta segunda-feira.
A disparada passa pela divulgação de que o Irã definiu Mojtaba Khamenei* como novo líder supremo do país. Ele é considerado próximo da Guarda Revolucionária Iraniana, é filho do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques do sábado, 28 de fevereiro, e sua eleição já tinha sido classificada como “inaceitável” pelo presidente dos EUA, Donald Trump, antes mesmo de ocorrer.
No mesmo sentido, a declaração de Trump de que “o aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos EUA e do mundo” também contribuiu para a percepção de que o fim do conflito possa ser mais distante.
Além disso, a interrupção da passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz levou o Kuwait, quinto maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a informar que adotou “medidas de reduções preventivas em sua produção e também na capacidade de refino” por conta da dificuldade de escoar a produção. Medidas semelhantes foram anunciadas pelo Iraque e pelos Emirados Árabes Unidos, segundo e terceiro maiores produtores da Opep.
À medida que o conflito segue, aumenta o receio do mercado de que a questão possa se estender mais do que se imaginava inicialmente, aumentando a pressão sobre os preços do petróleo. No entanto, as notícias, por enquanto, estão mais relacionadas a atritos logísticos, como interrupção de produção em meio a estoques elevados, o que poderia ser rapidamente normalizado quando o conflito acabasse. Ainda há pouca evidência de impacto na infraestrutura do setor de petróleo, ainda que esse risco siga vigente, algo que seria significativamente mais difícil e demorado de contornar, mesmo quando o conflito acabar.
Em reação a isso, líderes dos países do G7 declararam que estão acompanhando a situação para avaliar possível liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a alta dos preços, mas o governo francês descartou essa possibilidade no momento.
Diante disso, reforçamos que seguimos monitorando os eventos de perto e que, diante das informações mais recentes, enviaremos comunicações de forma tempestiva aos nossos clientes, atualizando nossas visões de investimentos, sempre que for necessário.
*Errata: na primeira versão deste texto, o nome do novo líder supremo do Irã aparecia grafado como Mostafa Khamenei, filho mais velho do ex-aiatolá Ali Khamenei. O correto é Mojtaba Khamenei. A informação foi corrigida às 17h40.
Focus: projeção da Selic de 2026 volta a subir
O Banco Central divulgou nesta segunda-feira, 9, mais uma edição do Relatório Focus, com atualizações nas projeções dos principais indicadores macroeconômicos deste e dos próximos anos.
Na parte de inflação, o relatório trouxe manutenção da projeção do IPCA de 2026 em 3,91%, mas oscilação de 3,79% para 3,80% em 2027 e manutenção de 3,50% em 2028. Já a inflação 12 meses à frente, um indicador importante para a tomada de decisão do Copom, subiu de 3,92% para 3,94%.
Com isso, todas as projeções permanecem na banda superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta de 3,0% ao ano definida pelo Conselho Monetário Nacional. No entanto, algumas projeções passaram a apresentar variação para cima, o que não ocorria há oito semanas (no caso da inflação 12 meses à frente) e há nove semanas (no caso da projeção para 2027).
Com relação à Selic, a expectativa para 2026 também voltou a subir, de 12,00% para 12,13%, enquanto as expectativas para 2027 e 2028 se mantiveram em 10,50% e 10,00% ao ano, respectivamente. Isso significa que o mercado ainda segue projetando quase 3,0 pontos percentuais de corte para este ano, mas uma variação para cima em qualquer prazo também não acontecia desde 9 de janeiro, quando a projeção para 2028 subiu de 9,88% para o patamar dos 10,00% mantido até agora.
O câmbio de 2026 também registrou variação, mas para baixo. A estimativa deste ano oscilou de R$/US$ 5,42 para R$/US$ 5,41, enquanto as do ano que vem e do próximo se mantiveram ambas em R$/US$ 5,50.
Por fim, no caso do PIB, após a divulgação oficial do resultado de 2025, as projeções para 2026, 2027 e 2028 foram mantidas em 1,82%, 1,80% e 2,00%, respectivamente. Lembrando que as respostas deste Relatório Focus foram coletadas até a sexta-feira, 6 de março.
💬 O que achou deste conteúdo?
Confira os artigos mais recentes
Atualização do conflito no Oriente Médio e divulgação do Payroll nos EUA
No Radar do Mercado: com quatro dias e meio de pregão, Thomas Wu traz uma atualização [...]
Taxa de desemprego do Brasil recua na série com ajuste sazonal
No Radar do Mercado: mercado de trabalho permanece resiliente. Na China, meta de cres [...]
Brasil: possíveis impactos do conflito no Irã
No Radar do Mercado: nesta edição especial, analisamos os potenciais impactos do conf [...]