Taxa de desemprego do Brasil recua na série com ajuste sazonal

No Radar do Mercado: mercado de trabalho permanece resiliente. Na China, meta de crescimento de 2026 fica abaixo da de 2025

Por Itaú Private Bank

4 minutos de leitura

O IBGE divulgou nesta quinta-feira, 5, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua indicando que a taxa de desemprego para o trimestre encerrado em janeiro foi de 5,4%, em linha com as expectativas do mercado, o que representa uma queda de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (6,5%). Já na série com ajuste sazonal, o índice caiu novamente e renovou sua mínima histórica, ficando próximo de 5,3% e reforçando o quadro de mercado de trabalho apertado.

A queda da taxa de desemprego foi resultado do aumento do emprego (+0,4% na variação mês contra mês, com ajuste sazonal), apesar do aumento da força de trabalho (+0,3%, na mesma comparação). Já a taxa de participação avançou 0,2 p.p., para 62,1%, combinando o aumento da força de trabalho com a expansão da população em idade ativa. A população ocupada, por sua vez, cresceu tanto no setor formal quanto no informal, ambas +0,4%.

Na parte de rendimento, a massa salarial real efetiva avançou 1,4%, impulsionada pela expansão do emprego associada ao aumento do rendimento médio (+0,3% na variação mês contra mês, com ajuste sazonal).

Os dados divulgados pela Pnad se juntam aos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também divulgados esta semana, para compor a foto do mercado de trabalho no início do ano. Segundo o Caged, foram criadas 112 mil vagas de emprego formal em janeiro, acima do esperado pelo mercado. Mesmo quando ajustado pela sazonalidade, o resultado de cerca de 100 mil mostra aceleração do ritmo de criação de vagas em relação aos meses anteriores.

Visão de Investimentos: os dados divulgados hoje pelo IBGE reforçam a leitura de um mercado de trabalho ainda apertado e que proporciona ganhos de rendimento aos trabalhadores, o que tem potencial para continuar pressionando a inflação. No entanto, acreditamos que, com a continuidade da desaceleração econômica, o mercado de trabalho deve mostrar algum arrefecimento à frente.

Além disso, continuamos observando uma trajetória de desinflação e expectativas de inflação recuando gradualmente. Assim, o Banco Central deverá iniciar o ciclo de cortes de juros na próxima reunião, daqui a duas semanas, o que está em linha com a nossa visão ainda otimista para a renda variável no Brasil e, na renda fixa, para os títulos públicos de juros reais.

Confira também uma análise da equipe do Itaú BBA sobre o atual momento do mercado de trabalho brasileiro: https://meu.itau/mercado_de_trabalho

China estabelece meta de crescimento de 2026 menor do que a de 2025

A China estabeleceu, durante o Congresso Nacional do Povo (NPC, na sigla em inglês) realizado nesta semana, que a meta de crescimento do PIB para 2026 será na faixa “de 4,5% a 5,0%”, em linha com as expectativas do mercado, mas abaixo da meta “ao redor de 5,0%” dos últimos três anos.

Diante disso, o consenso é que o governo chinês não precisará fazer grandes estímulos à economia este ano, dado que a meta de crescimento ainda pode ser alcançada em meio a fortes exportações, ainda que a demanda interna esteja fraca.

Os formuladores de políticas repetiram a mensagem de dezembro passado, de uma “política fiscal mais proativa” e “política monetária moderadamente frouxa”. Cabe destacar, no entanto, que não houve anúncio de novos estímulos fiscais.

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