Focus: projeção da inflação de 2026 fica estável, enquanto do PIB e do câmbio recuam

No Radar do Mercado: projeção para o IPCA de 2026 permanece acima do intervalo de tolerância, enquanto expectativas para atividade e câmbio recuam

Por Victor Camacho

2 minutos de leitura

O Banco Central divulgou hoje (19) uma nova edição do Relatório Focus, atualizando as previsões do mercado para o IPCA, o PIB, o câmbio e a Selic. O destaque foi a projeção de inflação de 2026, que permaneceu estável, ainda que em patamar elevado, contrastando com novas revisões baixistas para o PIB e com a leve apreciação do câmbio.

Painel com as projeções para o IPCA, PIB, cambio e selic para 2026,2027 e 2028.
Fonte: Banco Central e Itaú Private Bank

Começando pela inflação, a mediana das projeções para o IPCA de 2026 permaneceu estável em 5,22%. O patamar segue acima do limite superior do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual ao redor da meta central de 3,0%. Já a projeção para 2027 subiu de 4,30% para 4,32%, enquanto 2028 recuou de 3,79% para 3,75%.

Em relação ao PIB, as expectativas recuaram ao longo do horizonte de projeção. Para 2026, a projeção recuou de 1,85% para 1,83%, enquanto para 2027 a estimativa caiu de 1,40% para 1,32%. Já para 2028, houve leve redução, de 1,82% para 1,81%, sinalizando acomodação adicional das expectativas de crescimento.

Na parte do câmbio, as projeções também recuaram para os próximos anos. A estimativa para 2026 recuou de R$/US$ 5,15 para R$/US$ 5,13, enquanto, para 2027, foi de R$/US$ 5,26 para R$/US$ 5,22. Para 2028, a projeção oscilou de R$/US$ 5,30 para R$/US$ 5,29.

Em relação à Selic, as expectativas seguiram estáveis em 13,25% para 2026, 12,00% para 2027 e 10,50% para 2028. O quadro continua mostrando um ambiente de juros em patamar elevado por período prolongado, ainda dependente da evolução das expectativas de inflação.

Visão de Investimentos: as expectativas de inflação seguem acima da meta em diferentes horizontes, o que tende a preservar a cautela da política monetária. Em contrapartida, a evolução das expectativas para crescimento tende a dar respaldo à manutenção do ciclo de afrouxamento por parte do banco central, oferecendo suporte às nossas atuais posições acima do neutro em juro real e bolsa brasileira. Seguimos atentos à evolução do cenário macro e prontos para revisitar nossas posições conforme a evolução do balanço de riscos.

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