Infraestrutura: setor é defensivo e resiliente, mas exige disciplina do investidor

Brazil Private Markets Summit: gestores de infraestrutura da Kinea e da Perfin destacaram como o segmento combina previsibilidade e proteção contra inflação, mas requer gestão de riscos, presença junto a reguladores e visão de longo prazo

Um dos segmentos mais buscados pelos investidores, a infraestrutura reúne ativos defensivos, resilientes, com fluxo de caixa estável e contratos indexados à inflação ou ao dólar. Mas, como ressaltaram os gestores da Kinea e da Perfin, durante o evento Brazil Private Markets Summit, do Itaú Private Bank, investir nessa classe exige disciplina na análise de riscos e, principalmente, visão de longo prazo.

O segmento envolve ativos intensivos em capital, como rodovias, saneamento, transmissão e geração de energia. São monopólios naturais que dependem de regulação clara, respeito a contratos e agências fortalecidas para atrair capital privado e garantir investimentos sustentáveis.

André Figueira, responsável pela área de infraestrutura da Kinea, e Ralph Gustavo Rosenberg, CIO e gestor dos fundos de infraestrutura da Perfin, lembraram que a participação ativa junto às agência reguladoras e representantes governamentais é essencial.

Gestão de risco

A gestão de risco e retorno representam pontos centrais. Segundo os gestores, quem aporta em infraestrutura não deve buscar retornos explosivos, mas consistência de resultado. Além disso, destacaram a importância de avaliar cenários extremos, usar alavancagem de forma moderada e preservar o capital como prioridade.

Oportunidades

No horizonte de investimentos, eles destacaram oportunidades em diferentes frentes. A concessão de rodovias segue relevante, embora os projetos estejam cada vez mais competitivos. O saneamento, que conta com um marco legal relativamente jovem, deve ganhar força com novas concessões em estados como Pernambuco e Minas Gerais.

O setor de gás também atrai atenção, assim como os projetos ferroviários. Os portos, por sua vez, permanecem um gargalo estratégico, mas com barreiras de entrada altas para fundos brasileiros frente a players globais.

Proteção

Outro benefício é a baixa correlação do segmento com o PIB. Exemplos como contratos de transmissão de energia e PPPs sociais em educação mostram como esses ativos mantêm previsibilidade mesmo em cenários de desaceleração econômica.

A indexação das receitas à inflação ou ao dólar também aumenta a proteção do portfólio no longo prazo, garante preservação de valor real, independentemente do ciclo econômico, e reforça o caráter defensivo da classe de ativos.

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