Payroll vem mais fraco do que o esperado e atividade segue em foco nos EUA
No Radar do Mercado: relatório de emprego dos EUA vem abaixo da expectativa em semana marcada por revisão altista do PIB do segundo trimestre e dúvidas sobre próximos passos do Fed
Por Victor Camacho
O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou na manhã desta sexta-feira (2/10) o relatório de folha de pagamentos, Payroll, de setembro na esteira de uma série de dados relevantes sobre a economia americana divulgados ao longo da semana.
O primeiro destaque veio na quarta-feira (30/9), com a divulgação do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) de agosto e a revisão do PIB do segundo trimestre.
De um lado, o PCE ofereceu algum alívio ao quadro inflacionário. Além do núcleo do indicador, medida mais acompanhada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), ter avançado menos do que o esperado, houve revisão baixista da série. Como resultado, a variação anual do núcleo cedeu para 3,0%, bem abaixo dos 3,3% esperados.
Por outro lado, a atividade seguiu sólida. O consumo real de agosto permaneceu robusto, e a terceira estimativa do PIB do segundo trimestre revisou o crescimento para 2,2% em termos anualizados, com elevação do consumo.
A combinação reforçou a leitura de uma economia americana robusta, sustentando adicional pressão sobre os juros longos, tema que foi recorrente ao longo de setembro.
Assim, ainda que os dados de inflação tenham sugerido um núcleo encerrando o ano abaixo do projetado pelo Fed, oferecendo suporte à possibilidade de pausa na próxima reunião, a divulgação não foi suficiente para trazer alívio à renda fixa. O mercado permaneceu focado na narrativa de uma atividade econômica mais forte.
Foi nesse contexto que o Payroll seguiu como fator relevante com potencial para influenciar a avaliação do mercado. O indicador mostrou criação de 29 mil vagas em setembro, resultado modesto e abaixo do observado nas leituras anteriores e novamente se destacou a revisão de meses anteriores, que retiraram 60 mil vagas do histórico. Já a taxa de desemprego subiu para 4,2%, ainda que o movimento seja totalmente explicado pela taxa de participação.
Em resumo, a leitura reforçou a percepção de um mercado de trabalho com menos fôlego frente à discussão de potencial reaceleração observada há alguns meses. Com isso, o resultado de hoje vem ajudando a reverter parte da alta dos juros longos vista ao longo da semana. Como consequência, o dólar perde força na manhã, em um ambiente mais favorável a ativos de risco.
Petróleo recua, mas segue como fonte de incerteza global
O pano de fundo internacional, por sua vez, continuou marcado pelas tensões no Oriente Médio. Ao longo da semana, o petróleo recuou cerca de 4% e passou a operar pouco abaixo de US$ 100 por barril, movimento que reflete a discussão crescente sobre a recuperação da oferta por rotas alternativas, que estaria compensando parte relevante da perda do transporte marítimo tradicional.
Ainda assim, o cenário segue incerto, sem avanços concretos nas negociações entre as partes envolvidas. A possível recomposição dos fluxos de energia por rotas alternativas ajuda a aliviar parte da pressão recente, mas a ausência de uma resolução mais clara mantém o prêmio de risco geopolítico elevado.
Nesse contexto, a persistência de preços elevados de energia torna mais desafiadora a tarefa dos bancos centrais, ao pressionar índices de preços no curto prazo, com potencial de efeitos secundários sobre as expectativas e custo adicional ao crescimento.
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