Produção industrial decepciona em outubro
No Radar do Mercado: indústria tem resultado abaixo das expectativas e registra expansão apenas marginal no início do quarto trimestre. Na Europa, inflação segue em linha com as projeções do BCE
Por Itaú Private Bank
Indústria cresce apenas 0,1% em outubro

Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada nesta terça-feira, 2, pelo IBGE, a produção industrial brasileira teve avanço de 0,1% em outubro frente a setembro, na série com ajuste sazonal. O aumento veio abaixo do que era esperado pelo mercado (0,5%). No período, a indústria de transformação contraiu 0,6%, enquanto a extrativa expandiu 3,6%. No comparativo com outubro de 2024, houve recuo da indústria de 0,5%.
Em relação às quatro grandes categorias econômicas, apenas “Bens intermediários” (-0,8%) recuaram na variação mensal. “Bens de consumo duráveis” (2,7%), “Bens de capital” (1,0%) e “Bens de consumo semiduráveis e não duráveis” (1,0%) registraram expansão.
Além disso, 12 das 25 atividades industriais pesquisadas expandiram no mês, com destaque positivo para “indústrias extrativas” (3,6%) e “produtos alimentícios” (0,9%). Já entre os recuos, os destaques ficaram com “coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis” (-3,9%) e “produtos farmoquímicos e farmacêuticos” (-10,8%), que acumula perda de 19,8% em dois meses consecutivos.
Na nossa visão, a produção industrial é o primeiro dado de atividade do quarto trimestre do ano e mostrou composição mista, com bom desempenho da indústria extrativa e fraqueza da indústria de transformação. Apesar de ter vindo abaixo das expectativas, não muda nossa visão de desaceleração bastante gradual da atividade econômica, necessária para criar as condições para corte de juros. Lembrando que nesta semana teremos divulgação do PIB do terceiro trimestre e, na próxima, dados de serviços e do comércio de outubro. Acreditamos que o Copom deva iniciar o ciclo de afrouxamento monetário no primeiro trimestre de 2026, o que deve ser favorável para nossas atuais recomendações em renda fixa e renda variável.
Inflação da Zona do Euro acelera, mas segue próxima à meta
O Índice de Inflação ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) da Zona do Euro acelerou para 2,2% na comparação anual em outubro, ante os 2,1% registrados em setembro, segundo dados preliminares divulgados pelo Instituto de Estatística da União Europeia (Eurostat). O indicador veio levemente acima das expectativas do mercado (2,1%).
Já o núcleo, que exclui os componentes mais voláteis (como alimentos e energia), se manteve em 2,4%, em linha com as expectativas. Na série com ajuste sazonal, divulgada pelo Banco Central Europeu (BCE), o núcleo registrou alta de apenas 0,07% na margem, sugerindo continuidade do processo de convergência da inflação à meta do BCE.
Na nossa visão, a inflação na Zona do Euro tem evoluído de acordo com o cenário traçado pelo BCE, sem indicar pressões novas no curto prazo. O resultado aumenta a confiança de que a taxa de juros deve ser mantida inalterada, enquanto a atividade econômica permanece como principal variável a ser monitorada. Seguimos com nossa visão neutra para a renda variável na Europa.
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