Powell abre porta para corte de juros nos EUA em setembro
No Radar do Mercado: presidente do Federal Reserve afirmou que situação corrente permite considerar mudanças na política monetária. Confira os detalhes do pronunciamento
Por Itaú Private Bank
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, discursou na manhã desta sexta-feira, 22, no simpósio econômico anual de Jackson Hole, organizado pelo Fed de Kansas City, e deu sinais de que um corte na taxa de juros dos EUA pode ocorrer já na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) em setembro. Ele, no entanto, não se comprometeu.
No discurso, Powell afirmou que a estabilidade da taxa de desemprego nos EUA e outras medidas do mercado de trabalho “permitem prosseguir com cautela ao considerarmos mudanças em nossa política monetária”. Mas o presidente citou a rodada de dados do mercado de trabalho de julho para ilustrar como uma “espécie de equilíbrio curioso”, em que tanto oferta quanto demanda por trabalhadores desaceleraram significativamente. Segundo ele, isso sugere que os riscos para o emprego estão aumentando e que, se esses riscos se materializarem, “isso pode acontecer rapidamente”.
Já sobre a inflação, o presidente do Fed disse que os efeitos das tarifas sobre os preços ao consumidor “agora estão claramente visíveis” e que é razoável esperar que esses efeitos sejam “relativamente passageiros”, mas também afirmou ser necessário avaliar e gerenciar o risco de que elas possam “desencadear uma dinâmica inflacionária mais duradoura”.
Diante disso, Powell declarou que quando os mandatos do Fed estão em tensão como agora, o arcabouço orienta a equilibrar os dois lados. Ainda assim, a política monetária em território restritivo, o cenário-base do comitê e a mudança no balanço de riscos podem justificar um ajuste na postura.
Nossa visão: o discurso de Powell abriu cautelosamente a porta para um possível corte de juros já em setembro, apontando riscos crescentes para o mercado de trabalho, mesmo com a inflação ainda sendo um motivo de preocupação. Com isso, as apostas do mercado de que o corte virá já na próxima reunião aumentaram. O discurso, no entanto, também elevou a importância dos próximos dados de emprego e inflação dos EUA, a serem divulgados antes do próximo encontro. Caso um cenário de desaceleração do mercado de trabalho se confirme, um corte de 0,25 ponto percentual em setembro deve se confirmar.
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