Resumo da Semana: PIB desacelera no Brasil e mercado de trabalho surpreende nos EUA

No Radar do Mercado: semana foi marcada por sinais mais claros de moderação da atividade doméstica, enquanto a criação de postos de trabalho nos EUA veio acima do esperado

Por Carolina Sato e Victor Camacho

5 minutos de leitura

PIB do Brasil mostra perda de tração da demanda doméstica

O principal destaque da semana na agenda local foi a divulgação do PIB do segundo trimestre na última terça-feira (1º/9). A economia brasileira cresceu 0,5% na comparação trimestral com ajuste sazonal, após alta mais forte no trimestre anterior, ligeiramente acima do esperado pelo mercado. Cabe destacar, no entanto, que a composição do resultado foi mais importante do que o número agregado.

Pela ótica da oferta, a surpresa positiva ficou concentrada em agropecuária e indústrias extrativas, enquanto os segmentos mais cíclicos mostraram desempenho mais fraco. Pelo lado da demanda, houve recuo do consumo das famílias. Ao mesmo tempo, o investimento mostrou avanço, enquanto o setor externo teve contribuição negativa.

Em conjunto, a composição reforça a leitura de desaceleração gradual da atividade doméstica, ainda que o nível agregado siga sustentado por componentes menos cíclicos.

Produção industrial interrompe dois meses de queda

A produção industrial, medida pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE e divulgada na quarta-feira (2), avançou 0,2% em julho frente a junho, abaixo do consenso de 0,5%. A abertura mostrou que a indústria extrativa veio mais fraca do que o esperado, registrando queda no mês, enquanto a indústria de transformação avançou.

Na comparação com o mês anterior, três das quatro grandes categorias econômicas e 13 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram avanço na produção. Um resultado que reforça o cenário de desempenho fraco da indústria, a despeito de alguma melhora no mês.

Focus mostra expectativas de inflação pressionadas

Também no Brasil, a nova leitura do Relatório Focus divulgada na segunda-feira (31/8) voltou a trazer revisões para inflação. Houve leve recuo da projeção para o IPCA de 2026, mas a inflação em 12 meses à frente subiu novamente, assim como a estimativa para 2027. Já 2028 permaneceu estável, ainda acima da meta.

Do lado da atividade, o relatório trouxe nova revisão baixista para o PIB de 2026, enquanto as projeções para os anos seguintes ficaram estáveis. As estimativas para a Selic também não mudaram, preservando a leitura de juros elevados por período prolongado.

Assim, a condução da política monetária deve continuar dependente dos dados, em um ambiente em que a moderação da atividade ainda convive com expectativas inflacionárias elevadas nos horizontes mais relevantes.

Payroll vem acima das expectativas nos EUA

Nos EUA, foi divulgado na manhã desta sexta-feira (4) o relatório de folha de pagamentos, Payroll, indicando a criação de 162 mil postos de trabalho em agosto, leitura acima da projeção do mercado e liderada pelo setor privado, que apresentou 127 mil novas vagas. Quanto a revisões de dados passados, a leitura de julho foi revisada para cima, enquanto junho ficou um pouco mais fraco do que a indicação anterior. Na composição, lazer e hospitalidade foi a principal surpresa positiva.

Já a pesquisa familiar indicou a manutenção da taxa de desemprego em 4,1%. Dessa vez, no entanto, houve criação de emprego e avanço da taxa de participação, marcando a primeira alta do ano, em leitura de mercado de trabalho ainda equilibrado, com rebound importante do payroll. Em salários, o ganho médio por hora trabalhada veio em linha com o esperado, com alta de 0,3% na margem e 3,1% em 12 meses, sem sinais adicionais de pressão salarial.

Para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o relatório é consistente com a leitura de mercado de trabalho ao redor do equilíbrio e, por si só, não altera o diagnóstico de política monetária. O dado não sugere um mercado de trabalho forte o suficiente para gerar pressão inflacionária adicional, ao mesmo tempo em que afasta um cenário de enfraquecimento mais abrupto.

Já em mercados, a leitura tende a ter impacto limitado na margem, com alguma pressão altista para juros americanos e dólar, mas mantendo o foco no CPI que será divulgado na próxima semana.

Inflação na Zona do Euro acelera, mas núcleo vem abaixo do esperado

Na Zona do Euro, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto divulgado na terça-feira (1º) mostrou aceleração, com o índice cheio passando de 2,9% na comparação interanual para 3,3%, refletindo alta de preços de energia. Contudo, a despeito disso, a métrica de núcleo veio ligeiramente abaixo do esperado, atingindo 2,4% em 12 meses (ante 2,5%), com desaceleração dos serviços.

Para a política monetária, o mercado precifica alta de juros na próxima reunião em setembro. Os próximos dados serão fundamentais para avaliar a necessidade de uma nova elevação em dezembro, em um ambiente de preços de energia elevados.

Petróleo mais pressionado com escalada do conflito no Oriente Médio

No Oriente Médio, a escalada do conflito entre EUA e Irã ao longo da semana manteve os preços do petróleo pressionados, elevando os riscos para a inflação global.

Uma alta persistente do petróleo tende a dificultar o quadro inflacionário, ao mesmo tempo em que aumenta o risco de desaceleração da atividade, especialmente em regiões mais dependentes de importação de energia. Em outras palavras, o choque amplia a incerteza tanto para inflação quanto para crescimento.

Embora indicadores de confiança ainda mostrem alguma melhora na margem em diferentes regiões, o noticiário geopolítico tende a seguir como fonte importante de volatilidade.

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