Resumo da Semana: foco no Oriente Médio e em inflação e PIB de Brasil e EUA
No Radar do Mercado: possibilidade maior de acordo entre EUA e Irã fez preço do petróleo ceder na semana. No Brasil e nos EUA, divulgação de inflação e PIB foram destaque
Por Carolina Sato
Conflito no Oriente Médio: sobe a expectativa por um acordo
Mesmo com a agenda de dados cheia da semana, o conflito no Oriente Médio seguiu em destaque para os mercados. O noticiário, desde o último fim de semana, vem alimentando expectativas por um acordo entre EUA e Irã, o que possibilitaria a reabertura do estreito de Ormuz e, por consequência, alívio para preços de petróleo.
Os pontos de atrito seguem os mesmos: status do estreito pós-acordo, liberação de ativos bloqueados do Irã, além do programa nuclear do país. Ainda assim, sinalizações de concessões, especialmente do lado americano, têm levado consultores a aumentarem a probabilidade de um acordo no curto prazo. Em reação, o petróleo recuou mais de 10% na semana, e negocia próximo a US$ 92 por barril no momento da produção deste texto.
Brasil: inflação supera expectativas e PIB mostra crescimento robusto
Na última quarta-feira, 27, o IBGE divulgou o IPCA-15 de maio, que registrou alta de 0,62%, superando a projeção do mercado (0,57%). Em 12 meses, a alta avançou para 4,64%, ante 4,37% no período anterior, superando o teto da banda de tolerância da meta do Banco Central. Do lado qualitativo, a divulgação mostrou uma abertura ruim, marcada por piora dos núcleos de serviços na margem, apesar de alguma acomodação em bens industriais, com a devolução em itens que haviam adicionado maior pressão no início do ano. O dado reforça uma leitura de inflação corrente ainda pressionada e com composição ruim, especialmente em serviços.
Já na quinta-feira, 28, tivemos a divulgação de dados do mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua do IBGE, a taxa de desemprego no Brasil continuou em patamar baixo, em torno de 5,4% em abril, enquanto a criação de empregos formais, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), veio abaixo das expectativas, mostrando desaceleração gradual, mas ainda consistente com um mercado de trabalho apertado. Nesse contexto, vemos aumentos consistentes na renda das famílias.
Nesta sexta-feira, 29, por fim, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 na comparação trimestral com ajuste sazonal, e 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, próximo das expectativas do mercado. A leitura é de um crescimento sólido do PIB, com demanda doméstica mais resiliente.
Pela ótica da demanda, o principal destaque foi a recuperação do consumo das famílias, que cresceu 1,0% na margem, e da formação bruta de capital fixo, com alta de 3,5%, após a fraqueza observada no fim do ano passado. O consumo do governo também avançou (0,4%), mas desacelerando em relação ao trimestre passado, enquanto o setor externo teve contribuição negativa, com exportações em queda de 1,7% e importações em alta de 4,4%, possivelmente influenciadas por plataformas de petróleo.
Pela oferta, a agropecuária cresceu 2,0%, enquanto a indústria avançou 1,0%, com surpresa positiva em extrativa, e os serviços subiram 0,5%, com desempenho mais contido que o verificado no final de 2025.
Para a política monetária, a maior pressão inflacionária que temos observado, em meio a um crescimento econômico sólido (com crescimento acima do potencial) e mercado de trabalho apertado, reforça a necessidade de uma comunicação mais cautelosa por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central quanto ao processo de calibração da taxa Selic. Mas ainda acreditamos que a autoridade monetária tenha algum espaço para cortes de juros, a depender da evolução do cenário à frente.
EUA: dados aliviam, na margem, pressão sobre o Fed
Ainda nesta semana, mas nos EUA, foram divulgados dados importantes de inflação e crescimento. O Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) de abril, registrou alta de 0,4% no mês, ainda pressionado pelo choque de energia. Enquanto isso, o núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis como energia e alimentação, avançou 0,24% no mês.
O resultado ficou abaixo da projeção do mercado, mas com surpresa concentrada em componentes pontuais, sem necessariamente indicar um arrefecimento mais disseminado das pressões. Na métrica anual, o indicador que é referência para o Banco Central americano seguiu em alta, atingindo 3,3%.
Na frente de atividade, o PIB do primeiro trimestre foi revisado para baixo, de 2,0% para 1,6% (crescimento anualizado frente ao último trimestre de 2025). A revisão divergiu da expectativa do mercado, que projetava manutenção do ritmo de crescimento, e indicou um ritmo marginalmente mais moderado da demanda doméstica. O consumo arrefeceu, enquanto os investimentos tiveram ligeira revisão altista, ainda suportados pela forte demanda relacionada à tecnologia. A menor contribuição dos estoques também ajudou a explicar a recalibração.
Para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), o mix é benigno na margem, mas, por ora, não altera o panorama para a política monetária. A inflação surpreendeu para baixo, mas segue em tendência altista, enquanto o crescimento moderou, mas continua em ritmo resiliente. Ou seja, no curto prazo, o foco da autoridade seguirá mais concentrado no mandato de inflação. Para mercados, a avaliação é similar, oferecendo algum alívio à curva de juros americana, mas com efeito limitado.
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