Mercados em janeiro: geopolítica e resultados corporativos em foco
International Markets: novo presidente do Fed muda perspectivas para política monetária nos EUA; setor financeiro e tecnologia lideram mercados
Por Itaú Private Bank
O primeiro mês do ano se destacou pela recalibração de expectativas para os mercados globais, com investidores repercutindo tensões geopolíticas crescentes enquanto os fundamentos corporativos se mostraram resilientes.
Nesta edição do International Markets, Marcio Brito, Head Investor do Banco Itaú International, analisa os principais acontecimentos do mês — desde discussões sobre política comercial a resultados robustos da temporada de balanços.
Política monetária e economia americana
Janeiro registrou o maior número de menções a geopolítica nas principais notícias do Bloomberg, com temas de política comercial voltando ao radar. As discussões envolvendo a Groenlândia e questões tarifárias geraram volatilidade em setores expostos ao comércio global.
Nos EUA, o Federal Reserve (Fed, banco central americano), manteve postura cautelosa, com uma política monetária ainda dependente dos dados; e a última reunião do FOMC manteve os juros inalterados.
Conhecemos também o novo nome que irá chefiar o Fed. Nomeado por Donald Trump, Kevin Warsh traz experiência da crise de 2008 e uma visão que equilibra cuidado com inflação e perspectiva pró-mercado.
Mercados de renda fixa e temporada de resultados
O ajuste nas expectativas se refletiu nos mercados de juros, com taxas globais subindo enquanto os yields dos Treasuries americanos ficaram relativamente contidos. O mercado de crédito permaneceu estável, com spreads ainda apertados e estáveis.
A temporada de balanços foi a principal âncora para os mercados, com as instituições financeiras em destaque; JPMorgan, Citigroup, Bank of America e PNC apresentaram resultados sólidos, consumo resiliente e controle de custos. Alguns registraram recordes, reforçando a saúde do sistema financeiro.
A TSMC surpreendeu com plano de investimento maior que o esperado, impulsionando empresas como ASML e Applied Materials, e a tese de infraestrutura para inteligência artificial segue muito viva. Setores cíclicos como transporte mostraram mais fraqueza, enquanto o aeroespacial foi positivo, com Boeing melhorando percepção de crédito e Embraer reportando backlog recorde.
Fatores estruturais e mercados emergentes
A produtividade da economia americana segue como vetor positivo, acelerando e superando outras grandes economias. O cenário sustenta lucros corporativos e renda das famílias sem pressionar significativamente a inflação no longo prazo.
Nos mercados emergentes, o tom foi de melhora gradual, embora os investidores permaneçam seletivos.
O que acompanhar em fevereiro
- Continuidade da temporada de resultados: foco em atualizações de guidance, especialmente em tecnologia e setores cíclicos;
- Dados econômicos americanos: podem influenciar expectativas sobre política monetária do Fed;
- Desenvolvimentos geopolíticos: potencial fonte de volatilidade, especialmente em temas comerciais;
- Setor de semicondutores: desdobramentos da tese de infraestrutura para IA;
- Fluxos para mercados emergentes: monitorar seletividade dos investidores.
Conclusão
Fevereiro deve continuar dependente da temporada de resultados, com atualizações de guidance pesando mais que fatores macro.
Embora a volatilidade possa retornar devido a temas geopolíticos, os fundamentos sólidos ainda são o principal suporte para os mercados, sustentando um ambiente construtivo para investimentos.
Leia mais
Confira outras edições do International Markets
Mercados resistem a outubro turbulento com ajuda do Fed e das big techs
International Markets: entre o shutdown do governo e o corte de juros nos EUA, os mer [...]
Corte de juros e volatilidade criam oportunidades de investimentos
International Markets: os principais movimentos dos mercados internacionais em setemb [...]
Payroll fraco sugere corte de juros do Fed em setembro
International Markets: empregos fracos, consumo resiliente e expectativa de corte de [...]