Payroll fraco sugere corte de juros do Fed em setembro
International Markets: empregos fracos, consumo resiliente e expectativa de corte de juros nos EUA colocam setembro no centro das atenções dos mercados globais
Por Itaú Private Bank
Agosto foi marcado por sinais mistos na economia americana, com dados fracos de emprego, consumo ainda forte e expectativa crescente de corte de juros pelo Fed. Neste vídeo, Marcio Brito, Head Investor do Banco Itaú International, analisa os principais destaques do mês e o que esperar para setembro.
Payroll fraco nos EUA acende alerta
O relatório de empregos de julho nos Estados Unidos surpreendeu negativamente, com apenas 73 mil novas vagas criadas, bem abaixo das expectativas.
Ainda, os dados de meses anteriores foram revisados para baixo, reduzindo a média trimestral para cerca de 35 mil novos postos. Apesar disso, os pedidos semanais de seguro-desemprego têm se mostrado mais confiáveis, diante da queda na taxa de resposta da pesquisa mensal.
Consumo forte e inflação sob controle
Mesmo com o mercado de trabalho mais fraco, o consumidor americano manteve o ritmo de gastos, impulsionado por compras antecipadas e pelo consumo típico do verão. A inflação segue no radar: o CPI veio em linha com o esperado, o PPI surpreendeu para cima, e o Core PCE subiu 0,3% no mês, acumulando 2,9% em 12 meses. Esse cenário reforça a possibilidade de corte de juros.
Powell sinaliza cortes
No encontro de Jackson Hole, o presidente do Fed, Jerome Powell, indicou que cortes de juros estão no horizonte, caso os dados continuem favoráveis. O mercado reagiu positivamente: o S&P 500 bateu recordes, fechando agosto com alta de 1,9% e acumulando quase 10% no ano. Os juros dos Treasuries caíram, o dólar enfraqueceu e o ouro subiu 3,5%.
Petróleo em queda com volatilidade global
O petróleo teve um mês de forte oscilação, encerrando agosto com queda entre 8% e 9%. A movimentação refletiu incertezas sobre a demanda global, especialmente diante de dados mais fracos da China e da Europa, além de tensões geopolíticas no Oriente Médio. A expectativa de corte de juros nos EUA também influenciou os preços, ao sinalizar possível desaceleração econômica à frente.
Tensão política ameaça independência do Fed
A tentativa do presidente Donald Trump de demitir a diretora do Fed, Lisa Cook, gerou forte repercussão. Acusada por ele de fraude em financiamento imobiliário, Cook reagiu judicialmente, alegando ilegalidade na ação. O impasse levantou preocupações sobre a independência do banco central americano, especialmente em um momento em que decisões de política monetária são cruciais para os mercados.
Europa e Ásia em ritmo lento
Na Ásia, as bolsas recuaram levemente, refletindo cautela antes dos dados americanos. No Reino Unido, a indústria voltou a encolher, enquanto na zona do euro surgem sinais de estabilização nas fábricas.
O que deve estar no seu radar em setembro
- Payroll (5/9): em caso de novos resultados fracos, aumenta a probabilidade de corte de juros pelo Fed.
- Inflação (CPI – 11/9): um resultado dentro das expectativas reforça o cenário de corte.
- Reunião do Fed (17/9): o mercado já precifica quase 90% de chance de corte de 25 pontos-base.
- Disputa Trump x Lisa Cook: a tensão política pode afetar a percepção de independência do Fed.
- Bancos Centrais Globais: decisões na Europa e Ásia também podem influenciar os mercados.
Conclusão
Agosto trouxe um misto de dados fracos de emprego, consumo resiliente, inflação sob controle e sinalizações claras de cortes de juros. Com o S&P 500 em alta e o mercado otimista, setembro promete ser decisivo para a política monetária americana.
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