Inflação e gastos pessoais indicam atividade forte nos EUA

No Radar do Mercado: indicador de inflação mais olhado pelo Federal Reserve registrou alta de 2,9% em 12 meses e gastos dos consumidores americanos aceleraram em agosto, indicando atividade forte nos EUA. Além disso, Trump anuncia novas tarifas setoriais

Por Itaú Private Bank

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gráfico com os últimos resultados do PCE dos EUA na série mensal e acumulada em 12 meses

O núcleo do Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) dos EUA, que exclui componente mais voláteis, como energia e alimentos, avançou 0,2% em agosto, mantendo o ritmo em relação ao dado revisado de julho e em linha com as expectativas do mercado. Na base anual, o núcleo do PCE se manteve em 2,9%, também no mesmo patamar registrado em julho e em linha com as expectativas.

Já o indicador “cheio” do PCE registrou variação de 0,3% na passagem mensal, em linha com as expectativas, mas levemente acima do mês anterior (0,2%), enquanto a base anual oscilou de 2,6% para 2,7%, conforme o esperado.

A informação mais relevante da divulgação feita pelo Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) acabou sendo a dos gastos pessoais dos consumidores americanos, que cresceram 0,6% na passagem mensal, acelerando em relação ao dado de julho (0,5%) e acima das expectativas do mercado (0,5%).

Na nossa visão, a aceleração acima do esperado dos gastos pessoais dos americanos, somada às revisões do PIB e da inflação do segundo trimestre divulgadas ontem, apontam para um cenário de consumo ainda robusto, alterando a avaliação de uma desaceleração maior no segundo trimestre, o que possui implicações mais duras para a condução de política monetária do Federal Reserve. Cresce, portanto, a expectativa pela divulgação do payroll na próxima sexta-feira, 3 de outubro, que pode trazer maior clareza sobre o atual momento do mercado de trabalho americano.

Trump anuncia novas tarifas

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 25, a imposição de novas tarifas a partir de 1º de outubro. Segundo o comunicado divulgado pelo presidente em sua rede social, medicamentos de marca ou patenteados receberão uma tarifa de 100%, exceto quando a empresa responsável estiver construindo fábricas nos EUA. Além disso, caminhões pesados receberão tarifas de 25%, produtos residenciais como armários de cozinha, gabinetes de banheiros e produtos relacionados receberão 50% de tarifas, enquanto móveis estofados serão tarifados em 30%.

A medida indica uma possível substituição das tarifas implementadas via Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês), que vem sendo questionada nos tribunais americanos, por tarifas implementadas por seções da lei do comércio, que traz prerrogativas de imposição de tarifas por questões de segurança nacional ou por práticas comerciais desleais, por exemplo. Na prática, o anúncio traz nova volatilidade ao tema tarifário que tinha dado uma trégua, ao mesmo tempo em que reduz parte das incertezas fiscais, já que gera receitas adicionais. Em breve, novas estimativas de impacto na tarifa geral de importação dos EUA devem ser divulgadas.

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